> exp. filmletras AC80 (nov - 2011 em cartaz institutogoethe + bibliotecalceuamorosolima)

> exp. ccsp (ago-out/2011 – centro cultural vergueiro)

2009: ZERO AO CUBO

& (outras frentes:) cage:chance:change|mosaicages

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

grande page













28 AUDACITY PERCENTAGE = 100% pagu (patrícia rehder galvão) jumps from her newspaper column A Mulher do Povo (The Woman of the PEOPLE) and brings malakabeça fanika and kabelluda to shake this page + kabelluda made a communist meeting in front of The Statue of PORCENTAGEM DE AUDÁCIA = 100% pagu (patrícia galvão) pula da sua coluna de jornal A Mulher do Povo (A Melhor de TODOS) e traz malakabeça fanika e kabelluda para agitar esta página + kabelluda faz um encontro comunista na frente da Estátua da Liberdade ela vai 29 Liberty and she was arrested and murdered and on the third day she reappeared from the dead NOW YOU PAY ME! $ Once upon a time in the history of the visual arts a white table with plates forks and knives of white styrofoam In the center of this white table was presa é fuzilada e no terceiro dia ressurge dos mortos AGORA VOCÊS ME PAGAM! $ era uma vez na história das artes visuais uma mesa branca com pratos garfos e facas de isopor branco no centro dessa mesa branca estava a estrela irradiante da mesa branca: o urinol 30 the illuminated star of the white table: a white urinal of porcelain r. mutt 1917 Inside the white urinal of porcelain r. mutt 1917 had gourmet white cotton salad The visitors of the visual art exhibition were served with gourmet white cotton salad on their de branca porcelana r. mutt 1917 e dentro do branco urinol de porcelana r. mutt 1917 havia salada gourmet de algodão branco os visitantes da exposição de arte foram servidos com a salada gourmet de algodão branco em seus pratos brancos de isopor os visitantes 31 plates The visitors of the visual art exhibition were served by someone realistically similar with marcel duchamp and they ate the gourmet white cotton salad with their forks and knives of white styrofoam The visitors of the visual art exhibition exclaimed da exposição de arte foram servidos por alguém realisticamente semelhante a marcel duchamp e eles comeram a salada gourmet de algodão branco com seus garfos e facas de isopor branco os visitantes da exposição de arte exclamaram entre um garfo e outros garfos: 32 between a fork and another fork: incredible! delicious! fantastic! And then at the end of this history of the visual art they received custom coins with the cigarette face of marcel duchamp and the following words CODE IS DEAD Currently one of these custom incrível! formidável! fantástico! e então no fim dessa história da história das artes visuais eles receberam moedas personalizadas com o perfil de marcel duchamp e seu cigarro e as seguintes palavras O CÓDIGO ESTÁ MORTO atualmente cada uma dessas moedas vale 33 coins is worth thousands of $$$ vito acconci passes unintentionally on this page and I say that I met him a short time ago and that probably he does not know me and I say that the first line of this page begins with the letter E and ends with s and that it has milhares de $$$ vito acconci passa inadvertidamente por esta página e eu digo que o conheci faz pouco tempo e que provavelmente ele não me conhece e revelo que a primeira linha desta página começa com a letra T e termina com a letra a e que ela tem 254 34 263 characters counted with the naked eye and I say that even these : I typed in this page 8406 characters approximately and that the word WORD in portuguese has 7 characters and I lie to vito acconci that I am an artist recognized and awarded in brazil and vito caracteres contados a olho nu e eu digo que até estes : eu datilografei 8615 caracteres e que a palavra PALAVRA em inglês tem 3 caracteres a menos do que em português e eu minto para vito acconci digo que sou artista reconhecido e premiado em todo o brasil e 35 acconci says that even if my english is disgusting he will buy my work because he read on line 25 of this page that gertrude stein came here decided to buy my work and that from now on will be next to the work of florine renoir cézanne matisse picasso and then vito acconci diz que mesmo com meu inglês repugnante ele vai comprar o meu trabalho porque viu na linha 25 desta página que gertrude stein veio aqui decidida a comprar o meu trabalho que daqui pra frente estará ao lado do trabalho de florine renoir cézanne 36 jean-michel basquiat and mira schendel and lygia pape vito acconci recognizes that I am a poet and artist and says that if he were younger he would publish me with bernadette mayer in one or more issues of her magazine 0 TO 9 I thank him humbly for his affection matisse picasso e basquiat e mira schendel e lygia pape vito acconci reconhece que eu sou poeta e artista visual e diz que se fosse mais jovem ele teria me publicado com bernadette mayer em um ou mais números da revista 0 A 9 eu o agradeço humildemente por sua 37 for my work and we ended our meeting with the sale of a work mine for $90.000 the voice of aracy de almeida assaults this page to tear the reader's heart out of its naive condition OUR LOVE THAT I DO NOT FORGET AND THAT HAD ITS BEGINNING IN A PARTY OF SAINT JOHN afeição por meu trabalho e encerramos nosso encontro com a venda de trabalhos meus por $90.000 a voz de aracy de almeida assalta esta página a fim de afastar o coração de sua ingênua condição NOSSO AMOR QUE EU NÃO ESQUEÇO E QUE TEVE O SEU COMEÇO NUMA FESTA DE 38 DIE TODAY WITHOUT A ROCKET NO PORTRAIT AND NO TICKET NO MOONLIGHT AND NO GUITAR NEAR YOU I SHUT UP I THINK EVERYTHING AND I DO NOT SAY ANYTHING I'M AFRAID TO CRY NEVERMORE YOUR KISS AGAIN BUT MY LAST WISH YOU CAN NOT DENY IT - IF ANY FRIEND ASK YOU TO TELL IF SÃO JOÃO MORRE HOJE SEM FOGUETE SEM RETRATO E SEM BILHETE SEM LUAR SEM VIOLÃO PERTO DE VOCÊ ME CALO TUDO PENSO NADA FALO TENHO MEDO DE CHORAR NUNCA MAIS QUERO O SEU BEIJO MAS MEU ÚLTIMO DESEJO VOCÊ NÃO PODE NEGAR SE ALGUMA PESSOA AMIGA PEDIR QUE VOCÊ LHE DIGA 39 YOU WANT ME OR NOT SAY YOU DESIRE ME THAT YOU LAMENT AND CRY OUR SEPARATION AND TO THE PEOPLE I HATE ALWAYS SAY THAT I DO NOT PAY THAT MY HOME IS THE SALOON THAT I RUINED YOUR LIFE AND THAT I DO NOT DESERVE THE FOOD YOU PAID FOR ME aracy’s voice is always that SE VOCÊ ME QUER OU NÃO DIGA QUE VOCÊ ME ADORA QUE VOCÊ LAMENTA E CHORA A NOSSA SEPARAÇÃO E ÀS PESSOAS QUE EU DETESTO DIGA SEMPRE QUE EU NÃO PRESTO QUE MEU LAR É O BOTEQUIM QUE EU ARRUINEI SUA VIDA E QUE EU NÃO MEREÇO A COMIDA QUE VOCÊ PAGOU PRA MIM a voz de 40 of someone confiding not someone emoting she isn’t square and this gives her voice its extraordinary sympathy she sounds the way you would sound if you could speak the things you feel 8) avital ronell listen to olga guillot singing on this page communicating aracy é aquela voz de alguém que não confia em gente muito emotiva ela não é quadrada e isso causa extraordinária simpatia ela soa do jeito que soaria se você pudesse falar as coisas que você sente 8) avital ronell ouve olga guillot cantar nesta página 41 communicating communicating and then avital ronell approaches this page with the telephone book | | | she dances around this page with a cell phone at her ear and she does not stop to reveal blender noises sound secrets tzzz tzzz tzzz tzzzzzzzzzzzzzzzzzz tzz tz comunicando e então avital ronell aborda esta página com seu livro telefônico | | | ela dança ao redor desta página com um aparelho celular na sua orelha e ela não pára para nos revelar segredos sonoros de liquidificador tzzz tzzz tzzz tzzzzzzzzzzzzzzzzzz tzz tz 42 I hear from my aunt PAST WATERS DO NOT MOVE MILL this is PRINTED TYPES DO NOT POP GROUND I read the instruction printed on the paper packaging THE CORRECT METHOD OF USING CHOPSTICKS 1) two hands separateee two sticks 2) two sticks balanced between the fingers eu ouço da minha tia ÁGUAS PASSADAS NÃO MOVEM MOINHOS isto é TIPOS IMPRESSOS NÃO CAEM NO CHÃO eu leio a instrução impressa na embalagem de papel O MÉTODO CORRETO DE USAR HASHI 1) separe o par de palitos 2) equilibre os palitos entre o polegar o indicador e o 43 thumb indicate middle 3) two sticks balanced between the fingers thumb indicate middle pinching a little food and I read too MADE IN CHINA and FROM BAMBOO donald trump is hurt on this page because he dropped from his chopsticks made in china a full piece of ass dedo médio 3) os palitos devem conduzir com astúcia a pequena porção de alimento e então eu leio também FEITO NA CHINA e COM BAMBU donald trump está magoado nesta página porque ele deixou cair de seus palitos feitos na china um apetitoso naco de bumbum o naco 44 that was one centimeter from his open mouth I AM MY IDEAL COMPANY he says to himself for himself donald trump has chinese fear on here again (see his first occurrence of chinese fear on this page to line 16) someone on the street offers me $10000 to buy me de bumbum estava a 1 centímetro da sua boca aberta EU SOU A MINHA COMPANHIA IDEAL ele diz de si próprio para si mesmo donald trump sofre novo ataque de medo chinês (ver a primeira ocorrência de medo chinês na linha 16) alguém na rua me oferece $10.000 para me comprar 45 michael jackson asks here WHO'S BAD? martin scorsese replies ME! cockroaches friendlys stroll in the kitchen of McDonald's restaurant rosalind e. krauss is here and there is nothing to say and that is poetry HEAD DOES NOT THINK, BODY SUFFERS told me an old ancestor e então michael jackson pergunta aqui QUEM É MAU? martin scorsese responde EU! amigáveis baratas passeiam na cozinha do Mac rosalind e. krauss está aqui e não há nada a dizer e isso é poesia CABEÇA NÃO PENSA CORPO PADECE me disse um velho ancestral chamado 46 called my mother I am proud of being gestated by a woman and to have lived in the belly of a woman and to have fed on my mother in the belly of a woman and even with the physical absence of my mother to her I connect because I feel that the energy that I have minha mãe me alegra ter sido gestado por uma mulher ter vivido na barriga de uma mulher ter me alimentado em minha mãe na barriga de uma mulher e mesmo com a ausência física de minha mãe a ela eu me conecto porque identifico que a energia que disponho neste 47 in this world came from her I and I get full when I feel that I am her too my flesh is her my soul is her WOMAN FRIEND MOTHER FRIEND WOMAN LOVER angélica freitas appears on this page with a rilke shake from her hands and says A WOMB IS THE SIZE OF A FIST this mundo veio dela e me sinto preenchido quando sinto que eu sou ela minha carne é ela e meu segredo MULHER AMIGA MÃE AMIGA MULHER AMADA angélica freitas aparece nesta página com um rilke shake nas mãos e diz UM ÚTERO É DO TAMANHO DE UM PUNHO esta página diz que 48 page says that it goes to new york and promisses to be successful there ˜ ˜ ˜ I shuddered inside when I saw you but it was not you ' ' ' imagine a zealous slap writing with rabbit pelt gloves (like 'film' gloves in portuguese) almost politically incorrect and vai para nova york e promete ser bem-sucedida por lá |o| eu estremeci por dentro quando te vi mas não era você ˜ imagine um plaft zeloso escrito com luva de pelica (tipo 'amar o pelicano' em inglês) um plaft quase politicamente incorreto não é bolinho não 49 dumpling (almost 'lunch' of arab carnival balls) IMAGINE THIS PLEASE rosalind e. krauss knows that each type here printed will be worth more than yesterday and less than tomorrow within the capitalist perspective of the art market ROSALIND E. KRAUSS KNOWS the (quase 'quiz' do quasímodo mudo: você conhece?) IMAGINE ISSO POR FAVOR rosalind e. krauss sabe que cada tipo impresso aqui valerá mais do que ontem e menos do que amanhã dentro da perspectiva capitalista do mercado de arte ROSALIND E. KRAUSS SABE o sol-bebê 50 teletubbies sun baby lights this page to tell us SMILE TO THE WORLD THAT THE WORLD WILL SMILE BACK TO YOU the teletubbies sun baby lights a cigarette with his flame's hair under the influence of marlboro man in tobacco advertising campaigns on another TV station dos teletubbies ilumina esta página para nos dizer SORRIA PARA O MUNDO QUE O MUNDO SORRIRÁ DE VOLTA PARA VOCÊ o sol-bebê dos teletubbies acende um cigarro com a chama de seus cabelos sob a influência do caubói marlboro em propagandas de cigarro em outra estação 51 FILM CORRECTOR CARBOTYPE apply the matte face of the film on the rrore & repeat the same rorer in the same space & remove the matte face of the film on the old orerr & verify that the rerro has been completely eliminated & write normally & again equally or de TV | FILME CORRETIVO CARBONTIPO aplique o lado fosco do filme sobre o rreo & repita o mesmo rero no mesmo lugar & remova o lado fosco do filme sobre o velho eror & verifique se o rore foi eliminado & escreva normalmente & novamente igualmente ou 52 differeeentlyyy this page kindly asks the typewriter to present all its remington types without hiding any type of it because this page wants to choose what will be printed on it z a q cr$ x s w 2 c d e 3 v f r 4 b g t 5 n h y 6 m j u 7 , k i 8 . 1 o 9 : ç p O ~ ´ diferentementeee esta página pede gentil para que a máquina de escrever apresente todos os seus tipos remington sem esconder nenhum porque ela quer escolher o que será impresso nela z a q cr$ x s w 2 c d e 3 v f r 4 b g t 5 n h y 6 m j u 7 , k i 8 . 1 o 9 : ç p O 53 $ * - % Z A Q ª X S W " C D E / V F R § B G T £ N H Y _ M J U & ? K I ' ; L O ( | Ç P ) ^ ` º ! = + now this page instructs me to type “a” and I type “a” and it instructs me to type "b" and I type “z” the page gets furious with me and threatens to give me an ˜ ‘ $ * - % Z A Q ª X S W " C D E / V F R § B G T £ N H Y _ M J U & ? K I ' ; L O ( | Ç P ) ^ ` º ! = + agora esta página me orienta a datilografar "a" e eu datilografo "a" e ela me ordena a datilografar "b" e eu datilografo "z" a página fica furiosa comigo e 54 electric shock if I do not type "b" correctly and the page electrifies all typewriter keys except the "b" key and I type "z" and I get a shock on the left index finger | who is the seemly person? there aren't definitions for seemly yet. can you define it? ameaça me dar um choque elétrico se eu não datilografar "b" corretamente então a página eletrifica todas as teclas da máquina de escrever exceto a tecla "b" e eu datilografo "z" outra vez e tomo um choque elétrico no indicador esquerdo | quem é a pessoa de 55 the seemly person is one dollar washington –|_(~~)_|– WHOOPEE CUSHION when donald trump sits down it emits a REAL Bronx cheer DO NOT INFLATE TOO HEAVILY made in poo china poo ((*)******* will the typewriter make the request of this page completely? find yourself valor? aqui ainda não há definições para pessoa de valor. você pode defini-la? a pessoa de valor é o george washington da nota de um dólar –|_(~~)_|– ALMOFADA DO ASSOPRO quando donald trump se senta ela emite um sopro REAL encorajador NÃO ENCHER MUITO feito na 56 first and then your tool DON'T You be nO BLOW t/h/e/c/l/a/r/i/c/e/l/i/s/p/e/c/t/o/r/'/s/ /j/e/l/l/y/f/i/s/h /s/w/i/m/s/ /i/n/ /t/h/e/ /w/a/t/e/r/s/ /o/f/ /t/h/i/s/ /p/a/g/e/ /~/ /R/O/S/E/ /M/Y/S/T/E/R/Y/ /P/E/R/F/U/M/E/ /J/O/Y/ /H/E/A/R/T/ /P/E/T/A/L/ /M/O/U/T/H/ /A/L/A/R/M/ /B/R/A/I/N/S/T/O/R/M/ /t/h/a/t/ /p/o/p/s/ /i/n/t/o/ /h/e/r/ /m/i/n/d/ /~/ /c/l/a/r/i/c/e/ /l/i/s/p/e/c/t/o/r/p/a/i/n/t/s/ /o/n/ /t/h/i/s/ /s/u/r/f/a/c/e/ /a/ /u/k/r/a/i/n/i/a/n/ /s/u/n/ (puff) feito na china (****)****** afinal a máquina de escrever realizará os pedidos desta página? primeiro encontre-se depois encontre a sua ferramenta NÃO Seja uM GOLPE uma água-viva nada nas profundezas desta página ALEGRIA PERFUME CORAÇÃO MISTÉRIO ROSA BOCA 57 f/l/o/w/e/r/ /a/n/d/ /s/a/y/s/ /G/O/O/D/B/Y/E/ the clarice lispector's jellyfish swims in the waters of this page ~ ROSE MYSTERY PERFUME JOY HEART PETAL MOUTH ALARM BRAINSTORM that pops into her mind ~ clarice lispector paints on this surface a ukrainian sunflower and says GOODBYE PÉTALA ALARME TEMPESTADE CÉREBRO pipocam em minha mente clarice lispector pinta um girassol ucraniano nesta superfície e diz ADEUS livro reúne textos receitas e conselhos de clarice as imagens podem ter direitos autorais saiba mais o que são direitos autorais? 58 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 59 = 261 characters for an american not an artist - this phrase does not stick to me: I HAVE NOTHING TO DO WITH YOU oh source of inspiration I pay for the spontaneity of the object (sometimes with a little I earn a lot sometimes with a lot I earn a little/ speak = para uma américa não uma arte - esta frase não me pega EU NÃO TENHO NADA COM VOCÊ oh fonte de inspiração eu pago pela espontaneidade do objeto (às vezes com pouco eu ganho muito às vezes com muito eu ganho pouco fale menos e sinta mais e fale mais sinta 60 less and feel more and speak more and feel less) wanda landowska sits on the harpsichord of this page to perform the johann sebastian bach's chromatic fantasia and fugue in D minor BWV 903 wanda landowska passes through D and from A to C and from D again to F menos) wanda landowska senta-se ao cravo desta página para tocar a fantasia cromática e fuga em ré menor catálogo de obras de bach número 903 wanda landowska passa por ré e de lá para dó e de ré outra vez para fá e nós vislumbramos cascatas de lágrimas 61 and we glimpse cascades of colorful tears that fancy the skin of the paper and there is a strong emotion to the flower of this skin, an overwhelming and sweeping emotion which ends with the last note of the recording of this brilliant piece performed on YouTube coloridas que acariciam a pele do papel há uma forte emoção à flor dessa pele emoção ampla e arrebatadora que termina com a última nota da gravação dessa brilhante peça executada no youtube canal icarus lazuli depois de uma breve videopropaganda da cerveja skol 62 channel Icarus Lazuli after a brief advertisement of brazilian beer brand Skol * published on nov 5 2010 * 49,293 views 350 likes 3 dislikes on dec 7 2017 learn: mind care body care heart care: instruct c|8) how to overcome affective dependence and make love a publicado em 5 nov 2010 59,972 visualizações 517 gostaram 6 não gostaram 102 comentários em 21 set 2019 aprender: cuidar da mente do corpo e do coração: instruir __ como superar a dependência afetiva e fazer do amor experiência plena e saudável NÃO SE PREOCUPE 63 full and healthy experience DO NOT BOTHER TO UNDERSTAND, LIVE PASSES ALL UNDERSTANDING warned clarice lispector ::U a snoopy installs his home in the garden of this page and he climbs on the roof with a portable typewriter to write DEAR BELOVED, I SEE HIS FACE IN EM ENTENDER VIVER ULTRAPASSA QUALQUER ENTENDIMENTO adverte clarice lispector .P snoopy instala sua casa no jardim desta página ele sobe no telhado com uma máquina de escrever portátil e escreve QUERIDO ADORADO, EU VEJO O TEU ROSTO EM TODAS AS ROSAS... EM 64 EVERY ROSE... IN EVERY NARCISSUS... IN EVERY GRASS... G/R/A/S/S/ and if life doesn't want to smile BE TICKLED (oo)/–// life is made of aspects of life and CAPITAL is present in all aspects of life HI ROSALIND E. KRAUSS! a ASCII snoopy feels distressed and sad at TODOS OS NARCISOS... EM TODAS AS GRAMAS... G/R/A/M/A/S e se a vida não quer sorrir faça CÓCEGAS =(oo)= a vida é feita de aspectos da vida e o CAPITAL está presente em todos os aspectos da vida OLÁ ROSALIND E. KRAUSS! então um snoopy ASCII fica angustiado e triste 65 being just a digital being that takes care of indifferent computer screens the ASCII snoopy asks me to type it with a precise portion of X * / and ) this ASCII snoppy in an anti-capital protest gesture rips the USASCII code chart and heads to china with the por ser apenas um ser digital que habita telas de computador indiferentes o snoopy ASCII me pede para datilografá-lo aqui com uma porção precisa de X * / e ) e em sinal de protesto contra o capital ele rasga uma cópia da tabela ASCII e segue para a china com o 66 goal of returning its ideogrammatic code search to build the first chinese typewriter the first chinese typewriter contains keys with the fundamental features of all the ideograms each ideogram is assembled by the juxtaposition of one two or more keys hit in objetivo de retomar sua pesquisa ideogramática e construir a primeira máquina de escrever chinês a primeira máquina de escrever chinês contém teclas com os traços básicos de todos os ideogramas cada ideograma é montado por justaposição de uma duas ou mais teclas 67 the same space on the page after the ideogram has been mounted it moves to the next space on the page... donald trump writes a self-love letter on his secret chinese typewriter I NEED TO VENT AT THE SENTIMENTAL LEVEL maria auxiliadora silva and three women of batidas no mesmo espaço da página depois que o ideograma é finalizado a máquina vai para outro espaço donald trump escreve uma carta de amor-próprio com sua máquina de escrever chinês secreta PRECISO VENTILAR A NÍVEL DE SENTIMENTOS... maria auxiliadora e três 68 gouache and polyester paste from MASP's collection just arrived and one of them says MARILENA, DULCINEIA! I'M GOING TO THE BRAZILIAN FAIR! DO YOU WANT TO GO TOO? and the second says I'M NOT GOING TO GO OUT WITH YOU BECAUSE I MADE A DATE WITH ROBERTO. IT'S mulheres de guache e massa de poliéster da coleção do MASP acabam de chegar e uma delas diz MARILENA, DULCINEIA! EU VOU AO FORRÓ DA BRASILÂNDIA! VOCÊS QUEREM IR TAMBÉM? e a segunda EU NÃO VOU SAIR COM VOCÊS, PORQUE MARQUEI ENCONTRO COM ROBERTO. 69 ALREADY 5 O'CLOK! I'M GOING TO GET DRESSED QUICKLY. MY LOVE WILL REACH 5 AND 30 and the third says LET ME THINK, SARITA. BUT I DO NOT KNOW IF I GO OUT WITH YOU OR PAULO ROBERTO. I would like to be married to a person who would like to be married to me. TIME IS JÁ SÃO 5 HORAS! VOU ME VESTIR DEPRESSA. O MEU AMOR VAI CHEGAR AS 5e30! e diz a terceira DEIXE-ME PENSAR, SARITA. MAS NÃO SEI SE SAIO COM VOCÊ OU COM PAULO AURÉLIO! eu gostaria de ser casado com uma pessoa que gostaria de ser casada comigo TEMPO É GRAMA no ar... o fim

terça-feira, 30 de abril de 2019

Teoria da Guerrilha Artística – Décio Pignatari

[Teoria da Guerrilha Artística (1967) é um texto de Décio Pignatari,  presente em seu livro Contracomunicação publicado em 1971 – transcrição feita por metaesquina em abril de 2019]

Quando o guerrilheiro Oswald de Andrade – guerrilheiro da idade industrial – faz um discurso sobre a política cafeeira, pinta um quadro assinado Bostoff, faz "pesquisa alta" em antiliteratura e liga a Paulo Mendes de Almeida, para que este lhe "resuma Proust" ao telefone, pois precisa preparar com urgência uma tese universitária, está procedendo como um homem dos novos tempos, antropófago retribalizado devorando a divisão do trabalho e a especialização.

A aceleração do processo de informação e comunicação vai arrebentando os sistemas lineares e instaurando sistemas de informação instantânea, que tendem à implosão e à expansão (Marshall Mcluhan).

Nos processos lineares, os nexos de causa e efeito são vinculados à lógica aristotélica verbal. Já nos processos constelacionais ou abertos – onde o que importa são as propriedades de totalidade, como diz Wolfgang Wieser – "uma causa e um efeito podem, para quem olhasse a totalidade do universo, ser tomados um pelo outro, como que trocando seus papéis" (Valéry, sobre Eureka, de Edgar Poe). Pecado maior que os literatos atribuíam a Oswald: era um homem que "não lia". Ainda bem! Lema de Paul Valéry para uma biblioteca: "Plus élire que lire".

Nada mais parecido com uma constelação do que a guerrilha, que exige, por sua dinâmica, uma estrutura aberta de informação plena, onde tudo parece reger-se por coordenação (a própria consciência totalizante em ação) e nada por subordinação. Em relação à guerra clássica, linear, a guerrilha é uma estrutura móvel operando dentro de uma estrutura rígida, hierarquizada. Nas guerrilhas, a guerra se inventa a cada passo e a cada combate num total descaso pelas categorias e valores estratégicos e táticos já estabelecidos. Sua força reside na simultaneidade das ações: Abrem-se e fecham-se frontes de uma hora para outra. É a informação (surpresa) contra a redundância (expectativa). Nas guerrilhas, a estrutura parece confundir-se com os próprios eventos que propicia – e a estratégia com a tática. É uma estrutura que se rege pelo sincronismo. É uma colagem simultaneísta miniaturizada de todas as batalhas de uma grande guerra. Nas guerrilhas, as tropas, se de tropas pode falar, não tomam posição para o combate; elas estão sempre em posição, onde quer que estejam. E faíscam nas surpresas dos ataques simultâneos, num cálculo de probabilidades permanente que eluda a expectativa do inimigo. Estruturalmente, a guerrilha já é projeto e prospecto, já é design que tem por desígnio uma nova sociedade.

Haroldo de Campos, no Congresso do Pen, em New York (1966): "Acabou-se o tempo dos literatos!"

Augusto de Campos lembrando o lema valéryano para o "Esboço de uma serpente": "Je mords ce que je puis".

E o poeta Pedro Bertolino, lá de Florianópolis, citando Heidegger de permeio: "A vanguarda artística só se impõe e só pode ser concebida como antiarte, isto é, como investigação que origina para si a base em que se baseia, constituindo a sua própria negação e, portanto, superando-se indefinidamente para ser sempre presente."

Os nossos filósofos, psicólogos e sociólogos ainda não têm formação matemática e científica, e sim "humanística". No entanto, já nos bancos universitários, aprendem a adotar uma postura "científica". Fingem, por exemplo, menosprezar a literatura – mas são literatos. E há uma palavra que para eles é a mais científica de todas: humildade. É preciso ter humildade: é preciso primeiro dominar todos os sistemas filosóficos, psicológicos e sociológicos, para só então começar a filosofar, a psicologizar e a sociologizar. Em consequência, vivem a tomar notas, aguardando o grande momento. Mas eis que de repente lhes surge pela frente um pensador europeu da nova geração – Foucault, por exemplo – que lhes fala com o maior desembaraço de Mallarmé, Joyce, a lei dos quanta e a "Teoria da Informação". Não sabendo como lhe fazer as perguntas vivas do debate, só lhes resta tomar notas. Humildemente. Em nosso sistema universitário, tudo conduz ao ensino morto e nada à criação. Por exemplo, a Teoria da Informação e da Comunicação – que foi introduzida como disciplina no ensino brasileiro pela Escola Superior de Desenho Industrial, da Guanabara, em 1964, e para a qual preparei o primeiro programa, hoje já vai correndo o risco, em outras faculdades, de se transformar num incrível compósito de psicologismos, relações públicas e métodos audiovisuais, entregue que está aos azares da ignorância, da burocratização e da política tacanha da carreira e do carreirismo universitários.

Nada mais parecido com a guerrilha do que o processo da vanguarda artística consciente de si mesma. Na guerrilha, tudo é vanguarda e todos os guerrilheiros são vanguardeiros. E cada mosquito. E cada árvore. E cada gesto. Só a guerrilha é de fato total (excluindo-se a atômica...). Constelação da liberdade sempre se formando.

Já repararam como as toupeiras lineares do sistema concedem em dar importância teórica à poesia concreta, para logo em seguida reclamar de sua falta de "resultados"? Oportunismo do sistema em busca de equilíbrio: como milhafres no restolho ou albatrozes na esteira alimentar de um barco, acreditam um dia suprir a "lacuna", realizando as "obras" que os poetas concretos teriam deixado de realizar! Incapazes de perceber estruturas, não percebem que a "obra" da poesia concreta é tudo" confunde-se com os seus percursos, com os seus roteiros, com o seu processo de constelação móvel.

A visão de estruturas conduz à antiarte e à vida; a visão de eventos (obras) conduz à arte e ao distanciamento da vida.

Vanguarda já não pode ser considerada como vanguarda de um sistema preexistente, de que ela seria ponta-de-lança ou cabeça-de-ponte. Ao contrário, hoje ela se volta contra o sistema: – é antiartística. Vale dizer, configura-se como metavanguarda na medida em que toma consciência de si mesma como processo experimental. Metavanguarda não é senão outro nome para vanguarda permanente. Tenha-se uma visão sincrônica do processo. Mallarmé ainda é vanguarda, pois não se manifestou apenas como evento, mas deflagrou um processo no campo literário e artístico. E este processo ainda está longe de se esgotar, pois a sua taxa de informação ainda é alta em relação à redundância do sistema existente. A quantidade de ismos gerou uma nova qualidade, que continuamos a chamar de vanguarda, mas que é algo novo, pois se trata da vanguarda como sistema, que assim recupera, para a arte, séculos de atraso em relação à ciência, que sempre teve a experimentação como processo inerente à sua própria estrutura e desenvolvimento.

ARTE – Comunicação de controle analógico.

Num sistema, convém distinguir entre estrutura e eventos propiciados por essa mesma estrutura – o que corresponde à distinção que se possa fazer entre estratégia e tática. A informação está do lado da estrutura, a redundância do lado do evento. É por isso que o establishment absorve mais facilmente eventos do que estruturas. A difusão de estruturas é sempre mais difícil, dada a sua taxa máxima de informação. Vai sem dizer que, em geral, a sua absorção ameaça de destruição a estrutura absorvente.

Já na década de 40, creio, Oswald de Andrade desejou lançar no Rio de Janeiro um novo projeto ou movimento artístico, que se denominaria algo assim como "Projeto Zumbi", pelo qual propunha uma espécie de frente ampla dos artistas modernos, no sentido de organizarem uma resistência sistemática – até o último homem – a todas as tentativas de institucionalização (absorção) da arte moderna. Segundo me informou Pompeu de Souza, que ficou encarregado da redação final do Manifesto Zumbi (não sabemos se foi sequer publicado) e que serviu de mediador nas tratativas, a frente ampla não pôde ser formada porque os intelectuais solicitados a julgaram uma manobra de Oswald para se reaproximar e fazer as pazes com Mário de Andrade (já bem composto com o sistema, diga-se de passagem). De outra parte, sabe-se que Murilo Mendes respondeu a "Zumbi" com uma blague: "Seria mais revolucionário fundar novamente a Academia Brasileira de Letras". No entanto, a proposta de Oswald era historicamente correta e trazia no seu bojo a possibilidade de uma verdadeira "revolução cultural", destinada a impedir a sedimentação e a diluição das conquistas de 22 e a desentorpecer os seus membros. O "Projeto Zumbi" se insere no processo geral da vanguarda, deflagrado no século passado sob a pressão da revolução industrial, processo esse que vem estabelecendo um desenvolvimento marginal da arte em relação ao sistema artístico estabelecido e em oposição a ele. Sua estrutura dinâmica só é significante dentro de uma visada sincrônica e não diacrônica, ou seja, simultânea e não cronológica. Mas. por ora, se alguém conta ninguém canta esse Zumbi. Cantarão, porém: A massa ainda comerá do biscoito fino que fabrico (O. Andrade). A sua peça O Rei da Vela será montada por José Celso Corrêa, em agosto próximo [1967], para espanto e escarmento de todos os lineares teatrais.

A vulnerabilidade do sistema se acentua sob o impacto dos novos media (veículos ou meios de comunicação). Veja-se como crítica de cinema é mais aberta do que a teatral, como se envolve mais na análise da linguagem (estrutura) e menos na língua (eventos). A televisão avança sobre o cinema: recursos corriqueiros da televisão seriam considerados de extrema vanguarda no cinema: pense-se, por exemplo, na riqueza e na eficácia de um simples comercial de apenas trinta segundos! Na televisão a compressão da informação vai de par com a quantidade e multiplicidade de eventos que, por isso mesmo, deixam à mostra a sua estrutura. Mosaico de informações.

O controvertido e fascinante livro de Marshall Mcluhan, Understanding media (Compreendendo os Veículos) se apóia numa das idéias básicas da cibernética (Wiener): a organização é a mensagem. Bem misturadas com algumas ideias antecipadoras de Nietzsche (sem esquecer o afilhado Spengler): "Nada existe fora do todo" – "Geralmente se considera a consciência como conjunto sensorial e como instância superior; no entanto, ela é somente um meio de comunicação que se desenvolveu nas relações, em consideração aos interesses de relação."

A vanguarda nega o preexistente para criar uma nova totalidade. É vanguarda do pensamento bruto gerador de novos conceitos (A. Moles) e não das milícias do conhecimento já codificado. Os conhecimentos já codificados nutrem o impulso por meio da information retrieval e a recuperação da informação depende dos dados armazenados, da escolha que deles se faz, e, principalmente, dos projetos ou critérios de operação. Estes dois últimos aspectos envolvem atos decisórios, que são atos criativos, hoje sistematicamente estudados pela Heurística, ou Teoria da Decisão e da Descoberta. A ampliação do repertório, pois, não depende apenas do número de dados armazenados, mas da capacidade de decisão e invenção sobre a sua seleção e operação. Ou seja, da sua capacidade de linguagem.

Era de ver, mais do que a revolta, a surpresa de Edoardo Bizzarri, ante o absenteísmo da crítica e do público em relação ao espetáculo que montou, há poucas semanas, em São Paulo, sobre o Teatro Sintético Futurista. Tentou tirar-lhe a contundência, talvez, apresentando-o como "documentário ilustrado" e fiando-se no coxim amortecedor de meio século de decalagem. O adido cultural italiano desejava que a crítica de teatro se manifestasse sobre seu espetáculo, ainda que o futurismo servisse de mero pretexto. Talvez tenha aprendido que a vanguarda, como processo, não se presta a pretextos, visto como o metateatro futurista, pela extrema compressão, provoca a mutação de quantidade em qualidade, acabando com o teatro, tal como é comumente entendido. Ora, os críticos teatrais somente o são na medida em que deixem claro aos seus leitores que já sabem o que seja teatro, reservando-se como principal função o julgamento da qualidade do espetáculo e a distribuição de méritos e deméritos. No momento em que deles se exige uma tomada de posição reflexiva fundamental, que os engaja no próprio processo de teatro, obrigando-os à indagação "que é teatro?", é óbvio que, não sendo tatus, se mancam e se mandam, sob os mais variados pretextos. O professor Bizzarri teve de aprender, às suas custas, que linguagem é praxis, como diz o velho Sartre e que, em arte como alhures, a revolução de estruturas marginaliza…

Não as coisas, mas as relação entre as coisas. Não os eventos, mas a estrutura.

Contrariamente aos que julgam estar aderindo ao óbvio ululante, a figura, na arte ocidental, não é "conteúdo", mas sistema linear de estruturar a mensagem. À divisão clássica do corpo humano – cabeça, tronco e membros – corresponde a tripartição do discurso: sujeito, predicado e complementos. Por isso, não é mera coincidência que a aparição de estruturas simultâneas na arte moderna (cubismo, por exemplo) tenha implicado a destruição da figura, como destruiu o verso e a melodia: o que se destruiu foi a lógica discursiva e todo o seu embasamento verbal. A colagem não é senão cubismo ready-made levado à faixa da simultaneidade semântica: é uma arte cubista eventual. Entramos na era da desverbalização que, tanto para Oswald de Andrade como para Marshall McLuhan, é a era da retribalização do homem (sistemas lineares separam, sistemas mosaicos ou simultâneos agrupam).

Comunicar é codificar a realidade.

Assim como só se deseja e se defende o que se conhece e não se luta pelo que não se conhece – afirmação que implica o reconhecimento da enorme força do significado da redundância em qualquer sistema e, daí, da dificuldade de introdução do signo novo – assim também toda arte, inclusive a participante, que rejeite a revolução de estruturas é, por definição, reacionária. Dizem Marx, Lênin & Wiener: só a estrutura é informação. Não compreender a função da tecnologia – e linguagem também é tecnologia – na revolução das estruturas é o mesmo que considerar o surgimento de Marx durante a revolução industrial como uma aparição surrealista. Ainda bem que alguns dos nossos políticos e ideólogos de esquerda, um pouco mais perspicazes, já começam a considerar o Brasil como "universo industrial".

O problema comum da comunicação artística: – Gostou do filme? – Não. – Por quê? – Não entendi nada.

O gostar como função do significado (reconhecimento), o significado como função do repertório (conhecimento).

O equívoco de Glauber Rocha, em Terra em Transe, reside no fato de que não soube criar o hibridismo entre dois veículos. Enquanto a imagem se estrutura pelo simultaneísmo (liquidação de princípio-meio-fim), a "poesia" se organiza pelo linearismo. A figura do poeta serve de "fio condutor", para conferir "significado" à mensagem. Exemplo mais do que evidente de que o código verbal (verbalismo) lógico-discursivo ainda comanda aquilo que se costuma chamar de "o mundo dos significados", funcionando como verdadeira ideologia. Observe-se que a poesia, no filme, é poesia escrita e não lida ou oral.

Glauber deveria ter exercido sua criação na VOZ, numa poesia puramente oral, simultaneizando-a (veículo "frio" que é, a voz convida à participação "quente" – no sentido de temperatura informacional), por meio de superposições e distorções, como Dib Lufti fez com as faces, para obter efeitos operísticos de grotesco empolado. Quanto à poesia, ela se vincula a uma certa lírica vigente há uns cinco lustros, de que o próprio título do filme é exemplo.

As mentalidades lineares buscam "resultados" onde eles não podem ser encontrados, pois a estrutura simultânea deslocou suas coordenadas. Procuram tipos quando deveriam buscar protótipos. Seurat revolucionou o impressionismo (pintava de noite – suprema heresia!), morreu jovem e deixou um número diminuto de "obras", a maior parte das quais em "esboço" – mas volta e meia encontramos "resultados" de Seurat nas fotos em cores das revistas de grande tiragem. O Lance de Dados, de Mallarmé, tem apenas 19 páginas, mas equivale à Divina Comédia. Quantas obras deixou Mondrian? Alguns de seus "resultados" são encontrados na rua, nos corpos das mulheres, sob forma de vestidos. Webern destruiu a melodia, à la Mallarmé, e deixou apenas 32 obras de curta duração – mas está na raiz de toda música de vanguarda. Superando o tipo (obra em desenvolvimento linear), esses artistas prenunciam o advento do protótipo do desenho industrial. Esta foi também a preocupação de Klee: passar do tipo ao protótipo (obra cuja estrutura prevê sua própria reprodução). Nem é outra a preocupação dos artistas mais avançådos de nosso tempo.

O poeta é um designer da linguagem – não um artesão. Cria protótipos de linguagem. Não tipos.

Os Beatles indo do evento (consumo) à estrutura (produção): Paul McCarthney interessando-se pela música eletrônica de Stockhausen!

O jovem arquiteto, aluno do curso de pós graduação, estranhou que eu defendesse ao mesmo tempo uma arte de produção e uma arte de consumo. Respondi que, em cultura, a guerra clássica uniformizada e de desenvolvimento linear, não é praticável pelas forças radicais minoritárias. Ataca-se onde se deve e pode (desde que se tenha um projeto aberto, que permita ações simultâneas).

Só a estrutura nova é significado novo. E ação nova.

Estrutura: malha de relações entre elementos ou entre processos elementares. "Sem comunicação, não há ordem – sem ordem, não há totalidade" (W. Wieser). Informação: medida de ordem de um sistema. Ordem: diferenciação de formas e funções. Caos: desdiferenciação de formas e funções (tendência entrópica e redundante). Entropia: medida de desordem de um sistema.

Esta teoria (se for uma) é tanto minha quanto de Augusto de Campos. Que, no entanto, pode não subscrever, necessariamente, tudo o que aqui vai – funcionando eu, assim, como um escriba a todo risco e escrevendo com muitas penas ao mesmo tempo.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

crônica para esquentar a proposta de criação de um centro de mídia público/autônomo no parque augusta – maio/2016

auto(no)mação:

a possibilidade de retirar o ser humano da chatice do ditado-duro da oralidade na política representativa: programar a gestão: se valer da automação, programação de ferramentas horizontais/horizontalizantes, críticas ao privado e propositivas ao público. com meta na movimentação do grande ponteiro DO HOMEM PARA A NATUREZA, esta que envolve o homem.

a simultaneidade entre a crítica ao monopólio individualistas da mídia e a necessidade da grande difusão de novas ideias pluralistas (alternativas de de se viver nesse mundo) será resolvido no espaço público, no site, não há pra onde correr, é um problema cartográfico (#‎mapearamídia‬) de distribuição de recursos naturais e comuns, a começar pelo acesso à informação.

as disciplinas em mistura precisam de uma a-estrutura aberta, catalizadora.

arquitetos, músicxs, advogadxs, hackers, operárixs, humanxs, exatxs, incorporai-vos.

maio/2016+ novembro/2018
______ crônica para esquentar a proposta de criação de um centro de mídia público/autônomo no parque augusta

dan scan
maio 2016

em 2013 pensei que experiências minimamente descentralizadas como a midia ninja poderiam ocasionar novas antenas que seríam capazes de entrar no espéctro desses monopólios da grande mídia. porém, não só a experiência conflituosa da mídia ninja, como também exemplos menos conectados com a macropolítica, nos mostram que essa saída via descentralização, embora seja de fato o caminho a ser traçado e que continua vivo nas redes, ainda está engatinhando.

a via da descentralização perde muito em estabilidade, refém que é do necessário e cansativo embate micropolítico "horizontal", para as intituições proprietárias, que são hierarquizadas sem o pudor de questionar a meritocracia. o minimo de institucionalização já é suficiente para atropelar ou cooptar qualquer energia sem dono. até no cenário dos movimentos sociais é assim: quanto mais organizado, mais institucionalizado, mais poder de cooptação, e, destaco, mais centralizado (mesmo se, na melhor das hipóteses, em cada semana com um centro diferente).

partindo disso q penso que não há porque fugir da ideia de centralização se pensarmos esse centro como fruto de uma construção social que acredite em novas soluções, um centro que que não seja ocupado por um homem/mártir ou por um cargo representativo, a natureza como centro: rizomática, orientada/programada para o desenvolvimento de novas formas de vida/política/arte, um centro que catalize energias sem dono e não as trasforme em poder.

não dá pra fugir da guerra da comunicação, o alcance também é fundamental para qualquer projeto, seja ele um filme de cinema, um projeto autônomo, ou um projeto de hidrelétrica da odebrecht, queira ele o bem ou o mal da natureza ou do desenvolvimentismo. (até para as religiões o sucesso da difusão de conteúdo/informações é fundamental).

saída : encontro

criação de um centro de mídia, com o espírito livre aberto para o novo: espécie de a-controladoria geral do municipio, ou dos governos, ombudsman da cidade. a-instituição criada com o aval jurídico (estabilidade) de criticar o estado e o privado, orientado via discussão de princípios e objetivos / via mecanismos horizontais.
a criação de um centro de mídia (1 plural, para começar), físico, um espaço autônomo que possa hospedar temporariamente diferentes coletivos de mídia ou pessoas afins de aprender (cursos livres, oficinas multimídias).
auto(no)mação:

a possibilidade de retirar o ser humano da chatice do ditado-duro da oralidade na política representativa: programar a gestão: se valer da automação, programação de ferramentas horizontais. programar um centro de mídia não estatal, crítico ao privado e propositivo ao público. com meta na alteração da posição do grande ponteiro DO HOMEM PARA A NATUREZA, que envolve o homem.

o paradoxo da simultaneidade entre a crítica ao monopólio individualistas da mídia e da necessidade da grande difusão de novas ideias pluralistas (alternativas para melhorar a nossa vida no mundo) será resolvido no espaço público, no site, não há pra onde correr, é um problema cartográfico (#‎mapearamídia‬) de distribuição de recursos naturais e comuns, a começar pelo acesso à informação.
as disciplinas em mistura precisam de uma a-estrutura aberta, catalizadora. arquitetos, músicxs, advogadxs, hackers, operárixs, humanxs, exatxs, incorporai-vos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

estado, auto gestão, gestão compartilhada, gestão popular, espaço comum

ABRIL 2015

Auto gestão, gestão compartilhada, gestão popular, espaço comum? ESTADO?

Em São Paulo, diferentemente de BH, há a peculiaridade de termos o PT na prefeitura, isso é uma questão que torna a relação entre os coletivos e movimentos de esquerda delicada, até que ponto movimentos que conquistam uma organização horizontal e apartidária conseguem ou mesmo podem parceirizar com o Estado? Seriam capazes de sobreviver? Estão eles organizados o suficiente para tal?

Em SP as secretarias de Cultura e a nova dos Direitos Humanos tiveram ou ainda têm "ex ativistas" de movimentos ou coletivos de esquerda (muitos que estavam na rua ajudando a eleger Haddad em meio ao desespero de um possível segundo turno entre Russomano e Serra) incorporados ao "lado de lá" e isso mostrou um exemplo de como um governo dito de esquerda acaba sendo uma faca de dois gumes em relação a essa "nova" onda de mobilizações que, por essência, são autônomas (livre de parceirias publico-ou-privadas) e horizontais (todos líderes=sem líderes=democracia direta.). Isso não parece ser uma questão latente em BH nesse momento, quando por exemplo a pluralidade dos grupos de esquerda acabam encontrando um grito comum como o "fora Lacerda" (atual prefeito de BH) que tem o apoio inclusive de partidos de oposição, como o estranho PT.

Parece que a questão do enfraquecimento dos movimentos sociais com a chegada ao poder de partidos de "exquerda" é óbvia uma vez que os anseios autonomistas que desejam e já praticam outras formas de organização social/política em suas esferas micros (com influência cada vez mais nítida em esferas macro) não são possíveis de serem saciados através das ferramentas burocráticas que o sistema oferece (a secretaria de cultura em SP não tem WIFI (!)). "Não existe governo de esquerda dentro do sistema estatal", dizem uns, "Vamos ocupar o estado" sugerem os mais otimistas e, por consequencia, reformistas, isso tudo enquanto o Minha Casa Minha Vida, já no infeliz nome, pode ser lido como se a casa própria na periferia fosse o bastante para a garantir a "vida" do cidadao, como se só isso já "salvasse" as pessoas beneficiadas, que podem acabar encontrando na ascensão à classe média o sentido dessa Vida (alienada politicamente). A longo prazo esses macroprojetos como o Minha Casa Minha Vida, se não trabalhados caso a caso, terreno a terreno, família a família, me parecem que acabam por corroborar com um neoliberalismo despolitizante e conservador.

Faço parte do OPA (Organismo Parque Augusta) que luta para impedir a construção de prédios em um terreno de imensa especulação imobiliária. (Re)Nascemos pós Haddad e, ao mesmo tempo que o fato de Haddad estar no poder facilitou nossa insurgência, visto que a própria prefeitura estava nas ruas (pós junho) em meio a juventude e travestida de movimento social, para agir em nome de pautas de esquerda como a desmilitarização (a PM é PSDB em SP), percebo também a dificuldade de comunicação que as des-aparentes portas abertas que a prefeitura diz existir nos trazem, principalmente porque o que os movimentos novos como o OPA querem a prefeitura parece, mesmo que se quisesse, não ter como oferecer. Queremos mudanças estruturais, queremos explodir com leis retrógradas, queremos uma revolução macropolítica que se baseie numa progressão fractal micropolítica, e como fazer isso com um discurso que não quer o poder e muito menos pegar em armas?

Garantias como a sobrevivencia de zonas autônomas (espaços públicos com gestão direta expontânea da sociedade civil minimamente organizada vide o vão do viaduto Santa Tereza em BH, ou o Buraco da Minhoca em SP, e recentemente ocupações como a do cais Estelita ou do Parque Augusta e demais parques espalhados pelo país), o acesso irrestrito à informação (internet livre ao menos), o fim da especulação imobiliária parecem impossíveis de serem pleiteados dentro do sistema em que vivemos. Como pleitear uma mudança radical se o passo macropolítico corre mais do que as pernas e mesmo assim caminha a passos mais lentos quando a pauta é mudanças estruturais do que o conflituoso, porém prazeroso-utópico, ambiente de construção micropolítica horizontal e autônomo?

Por hora só uma saída, já sabida... o fortalecimento e embasamento da organização dos grupos autônomos, trabalho de base, a troca de saberes e de repertórios em ambientes conquistados por ações diretas micropolíticas, ocupações e criações desses "espaços comuns" e de outros termos carentes de difusão e conceituação mútua. Entender como o jogo funciona para subvertê-lo. Trabalho árduo que não dá vez à preguiça, ao menos não antes de criarem-se os espaços propícios para exercê-la criativamente.

Faça o teste, pergunte para as 10 primeiras pessoas que encontrar o que é, ou como funciona o ministério público... Não sabemos, ninguém sabe ao certo. Para tudo, o buraco é mais embaixo. "Vá com calma, mas vá" diria John Cage.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

ESPAÇO LABORATORIO OFICINA ATELIE COMUM

texto de *daniel scandurra em progresso, atualizado em 3/7/2015

A PROPÓSITO DE ATELIÊS COMPARTILHADOS E ESPAÇOS COMUNS A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DA OCUPA CASA AMARELA

A ocupação Casa Amarela – Espaço Comum/Ateliê Compartilhado – é descrita desde sua consolidação como uma “ocupação cultural”, já dura 1 ano e 3 meses e está em vias de ter sua vida interrompida graças a repressão estatal/policial. A reintegração está marcada para o dia primeiro de julho, aguardamos contato do INSS para saber se tivemos sucesso com nossa vontade de postergar a reintegração. Durante todo o período foi um laboratório extremamente vivo de convívio entre pessoas de todas as partes, foco de superação de preconceitos via troca de ideias repertórios e realidades, pessoas de São Paulo, Brasil, América Latina e mundo todo.

A autoorganização da casa (auxiliada por assembleias semanais abertas que mesmo quando esvaziadas, nunca cessaram) conseguiu mantê-la aberta a propositores de todas as práticas, não sem muitos conflitos brigas e separações, é claro, mas cá estamos vivos e a casa, mesmo se reintegrada seguirá lá no mesmo terreno aguardando destinação. 

A Casa Amarela como outros exemplos de espaços comuns/centro culturais autônomos de todo o mundo, se consolidou nesse pequeno período como um ponto de ENCONTRO fundamental para o que resta de esperança sã na cidade, muitas pessoas com vontade de transformação se conheceram por lá, espaço q se mostrou fundamental para a existência de diversos projetos/processos culturais, para o encontro de artistas de todas as linguagens e causas que, não fosse a casa, não teriam se conhecido e colocados em contato. A reintegração de posse visa acabar com a possibilidade de evolução desses contatos, e isso é um tiro no pé do próprio estado (enquanto macro organização social vigente) e do processo de resistência da democracia, em tempos de Eduardo Cunha.

A ocupação teve muitos momentos de vida, representações de situações de todas as “histórias da arte” e de conflitos socioculturais.

PROBLEMÁTICAS TERRITORIAIS

Ao conceituarmos a luta por ocupações culturais como diferente da luta por ocupações de moradia fazemos o jogo do estado, que estimula a visão de que movimentos sociais com causas díspares são concorrentes entre si.  Essa é uma ideia equivocada, vinda de pessoas que, ou já tem onde morar, ou fingem não morar na ocupação cultural (pior caso, já que alimenta a incoerência das lógicas do ambiente).

É preciso haver espaços para se dormir bem em ocupações ditas “culturais”. Afirmar e acreditar que a Casa Amarela é uma ocupação em que não pode haver moradia é uma afirmação que demanda aprofundamento, uma vez que mesmo nos ateliês privados, nos balcões alugados, os artistas, quando imersos no fazer artístico, transcendem a noção do morar. Pode-se dizer que morar se torna criar e vice versa. A casa é o corpo, essa sim, uma meta revolucionária. Hoje em dia, um termo apropriado que conecta moradia e cultura, é a ideia de “residência artística”.

Insistir em não considerar a residência artística como uma pauta séria que demandaria muito empenho da comunidade ocupante dentro da Casa Amarela fez com que muitos conflitos fossem sendo mal encarados, deixados de lado. O problema não é uma pessoa residir na casa, desde que seja temporariamente e de acordo com acordos comuns, o problema é não haver lógica organizacional legitimada pela comunidade que abarque tal possibilidade. É necessário acordos comuns sobre questões relativas a pernoitadas ou residências artísticas temporárias.

Considero que o problema se iniciou nessa falta de coerência resultada de uma falsa oposição entre cultura e moradia. Pessoas residentes da casa, com receio de serem julgadas por causa disso, omitiram essa situação postergando o debate a respeito. O termo “residência artística” pode resolver essa questão, é necessário assumir a demanda de manter vivos mecanismos legitimados pela comunidade ocupante que possam orientar questões relativas à residência artística.

PORTAS TRANCADAS

Esses mecanismos existiram em alguns momentos da vida da casa. Com o passar do tempo muitos pertences pessoais foram sendo trazidos e consequentemente vieram os furtos. Isso justificou a necessidade de trancar algumas portas, aqui o segundo problema que considero consequência desse primeiro momento supracitado: trancamento das portas. Uma vez considerado e admitido que existem sim pessoas que moram (mesmo que temporariamente) na casa, se faz necessário admitir também a necessidade de que hajam locais seguros para que pertences pessoais não sejam furtados. A ausência de acordos comuns que abarquem essa necessidade de resguardar objetos pessoais, gera a chamada “privatização dos espaços”.

Não é saudável para um projeto/processo de centro cultural autônomo, que se pretende duradouro e legítimo frente a sociedade, trancar um espaço público (quarto) arbitrariamente para protejer pertences pessoais. Fazer isso sem provocar o consenso da comunidade e sem o embasamento de mecanismos de legitimação de acordos comuns (que geram a compreensão incessante dos motivos do trancamento) abre um precedente para que outros tomem medidas igualmente individualistas, aumentando a especulação entre desconhecidos e dificultando a possibilidade de resolução de problemas territoriais quando ainda estão em seu início. Porém essa necessidade de guardar seguramente pertences pessoais dos ocupantes é latente e por isso demandam a constituição de mecanismos e dispositivos de legitimação de acordos comuns.

Para tanto, e sabendo que temos a necessidade de espaços públicos abertos e portas abertas dentro da prefeitura para propor algum futuro para a Casa Amarela proponho os seguintes acordos comuns referentes ao senso territorial da casa:

#residênciaArtística
1 – a casa amarela admite residência artística temporária de pessoas que legitimam os propósitos culturais da casa e, principalmente, que estejam de acordo com os mecanismos e dispositivos de #AcordosComunsdaCasa.

#dispositivosdeacordoscomuns
2 – assembleia
é nas assembleias abertas que os acordos comuns podem ser editados. a organização da assembleia deve ficar a cargo do corpo gestor, escolhido também em assembleia. Todos os residentes temporários da casa devem participar ou apresentar justificativa plausível.

3 – corpo gestor
o corpo gestor é escolhido em assembleia, são pessoas interessadas em manter vivo e coerente os mecanismos e dispositivos de acordos comuns da Casa. Rotatividade das funções. Randomia.

4 – os espaços aptos para dormitórios devem ser indicados na #Plantadacasa que deve permacer acessível a todos os visitantes e deve ser atualizado constantemente conforme as possíveis modificações apresentadas em #assembleiaaberta e semanal.

5 – Todos os espaços devem ser abertos para uso comum de todos os que se interessarem. Caso haja necessidade de trancar portas o motivo deve ser colocado e consentido em assembleia, juntamente com o prazo de término da regalia. A chave deve ter fácil acesso e um aviso deve ser colocado na entrada do respectivo quarto trancado com o contato de quem for o residente temporário responsável por ele.

6 – equipoteca da casa

7 – armários coletivos | guarda volumes

8 – Os residentes da casa devem se inscrever em . 
portaria, limpeza e alimentação. E participar de todas as assembleias abertas.


9 – 

quinta-feira, 1 de março de 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

entrevista para catalogo ccsp (inédito)

entrevistador Cayo Honorato
estrevistado Daniel Scandurra
dezembro de 2011

você parece interessado em que seu trabalho seja de algum modo "eficiente". em relação a quê você mediria essa eficiência?

(juxtaposição de linguagens) será eficiente se estimular o público a deixar de ser público e instigar nele a percepção de estruturas e a possibilidade de transcriá-las (VOCÊ ECOA).
conforme indico no PROPAGRAMA (q nomeei METAESQUINA), o projeto está em progresso e tem metas explícitas, por exemplo: levantar a questão (se utópica, pela utopia!) d q o novo uso q dou ao relógio poderia ser uma alternativa viável d ocupação desse e outros meios d comunicação. além disso há uma meta implícita: apontar o grande paradoxo que foi todo esse processo. me refiro ao fato de a prefeitura ter retirado as colagens por serem ilegais e depois ter bancado a exposição da documentação das mesmas colagens em seu principal centro cultural.

mas o que esse "paradoxo" lhe diz?
é um ótimo retrato de como as coisas em (GELÉIA)geral “funcionam”: onde/quando arte e cultura só podem acontecer em espaço/tempo restritos e, além disso, são comumente dispostos como dieta privilegiada para especializados. (: 2012, fim do surdo: desespecializar).
MAS, as colagens proibidas foram selecionadas para o ccsp: eis a BRECHA.
para ter sua meta explícita correspondida (dito: os relógios funcionando como plataformas feitas por/para quem (se) interessar) METAESQUINA correria sérios riscos de se “institucionalizar”, MAS lembro q A AUTOmAÇÃO É REALIDADE : GESTÃO DIRETA ▼I▲ WEB (extensões: fb+yt+wiki+gdocs ≤ vc) : ▼I▲ RUA : cem saídas..

me ocorre que sua "meta explícita" parece funcionar na medida em que de algum modo fracassa. o que te faz pensar que suas colagens não vendem nada?
a contribuição milionária de todos os erros: dialética/EXPERIÊNCIA = fracasso = sucesso. não há como garantir q o uso dos relógios não venda algo, direta ou indiretamente, mas tem como garantir q não seja preciso comprar o espaço para usá-lo, liberdade q PROPICIA outras metas para o meio-relógio (daí o caráter prototípico das colagens q fiz).

você propõe um "diálogo direto com a vida", mas ao mesmo tempo "não vacila em ampararestruturar-se", de modo prioritário, no legado da poesia concreta, e também em outras formas de arte. que tipo de indistinção entre arte e vida seu trabalho introduz?
não se trata de pura indistinção mas de uma desigualdade dialética: a arte reprogramar a vida (para que ▼I▼▲) : METAESQUINA é uma provocação para q se abram (os) espaços de manifestação, q sejam livres . se a poesia concreta já foi, oswald já foi, CLARK HO, se foi torquato e TUDO q ESTÁ DITO, sobrevive a ▼▲I▲ : ignição para invenção de novosprogramasroteiros : ver/comer/rever as metas permanentes (lance de dados/4’33’’/cavaletes de (grande)VIDRO/               /meiomensagem/sobedécio : ) : TUDO ESTÁ INFINITO : pra m'inspirar abro a janela como um jornal : novos meios novos : todos criadores e conscientes d(isso é prioritário)                    ,

aplicados sobre os vidros do CCSP, os HEXACUBOS se multiplicam em reflexos por todo o espaço. eles não só condensam tudo o que se pode ver, mas podem ser vistos em “todos” os lugares. de que maneira isso lhe interessa? [eu também poderia continuar perguntando por seu interesse pelas intersemioses (música, design, literatura etc.), da sua astúcia em ocupar todos os espaços (biblioteca, elevador, entradas etc), do caráter pregnante e repercussivo (você ecoa) do trabalho, da sua vontade de onipresença, de se indexar a momentos diversos da história da arte contemporânea (metaesquina, sobedécio, jogos de dados etc.), mas de ser também “cultura de massa”. e poderia problematizá-lo perguntando se isso seria uma tática de ocupação ou uma vontade de controlar a circulação do seu trabalho 
pode considerar aqui aquela ideia de “multiplas ramificações de significados” que está anotada no caderno que deixei acessível ao público durante a exposiç (

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

NADA ANDA


PASONLINE



matéria estadão
http://blogs.estadao.com.br/edison-veiga/2011/12/05/pasolini-passou-aqui

em fluxograma 
(atualizado em 16 d dezembro)

:


PASONLINE

Fechado desde março, o imóvel foi pichado com a frase “Pasolini passou aqui”, 
aludindo ao cineasta italiano.


pixação com x (de pixel) 

e não com ch (de piche)

Por que “Pasolini Passou Aqui”?
Perigoso explicar. A expressão “Pasolini passou aqui” se auto-explica e, precisamente, naquele espaço, estimula múltiplas interpretações. O que posso afirmar, percebendo a recepção das pessoas, é que ao menos duas questões primordiais são levantadas: a primeira (definição da denúncia), como assim acabou o cinema e ninguém faz nada? a segunda, não menos importante: quem que é esse Pasolini? Um grupo de pixo? Fato é que o cine belas artes encontra-se agora desfigurado como desfigurado fora o rosto de Pasolini naquele novembro horrendo de 1975 (quando o poeta do cinema, de porte e postura, foi atropelado de maneira perversa, sob a pecha de comunista emporcalhado). “Pasolini passou aqui”, é obvio, porque os filmes dele foram ali exibidos, “Pasolini passou aqui” porque esse é o espírito da pixação: o do “fulano passou por aqui”, “Pasolini passou aqui” porque o espírito Pasolini passou por mim: psixografei-o. Atropelo cinema X atropelo Pasolini. Para alertar os desmemoriados.
Como surgiu a ideia de escrever essa frase na fachada do Belas Artes?
Muros são como túmulos: merecem epitáfios; e morremos todos os dias entre os muros. Penso que jamais devem haver retrocessos nesses aspectos: nunca um muro a mais, sempre um muro a menos: nunca um cinema a menos. A ideia de uma intervenção bem diagramada e clara, utilizando a marquise como grid para simular um letreiro de cinema (letras brancas em caixa alta), me pareceu uma boa solução para comunicar e resignificar o problema. Fiz a poetixação (como Augusto de Campos me sugeriu chamar essas perquirições) para explodir o diálogo, trazendo a questão do cinema pro universo da pixação ao mesmo tempo q a questão do pixo pro universo do cinema. Afinal, já é tempo de abrir os códigos desta linguagem marginalizada para expandir seu alcance e atuação e como diria o próprio Augusto: “filmletras quem os tivera?”.


Como foi a “operação”? Você tomou algum tipo de cuidado para não ser surpreendido?
A operação foi precisa. Utilizei a técnica que a pixação me deu. Nenhuma outra modalidade de composição me daria essa habilidade, e eu não estava sozinho. Aspirei ao letreiro luminoso que é recorrente no filme O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, mas foi mesmo o letreiro furioso do pixador #DI#, pioneiro que dominava plenamente a arte de pixar de ponta cabeça, que me inspirou na hora.


Qual sua ligação com o Belas Artes?
Não tenho nenhuma ligação com as “belas artes”, esse termo está totalmente ultrapassado. Não compactuo com beleletristes. Mas, apesar do nome, é certo q era um bom cinema, caso em extinção de boa programação (que incluía filmes representativos da história cinematográfica) e ótima localização (contrário da cinemateca por exemplo). Hoje, ficamos reféns dos filmes em cartaz da programação meramente comercial dos outros cinemas da região, da qual 1% dos filmes trazem alguma novidade, os outros 99% são carne de vaca.


Como você recebeu a notícia de que, definitivamente, o cinema não será tombado?
As coisas estão tão sem sentido que eu recebi mensagens comemorando o fato da pixação ter aparecido no jornal ao invés de lamentando a decisão da “justiça”. Cultivei, nestas ultimas semanas, a falsa expectativa de que o cinema pudesse voltar a funcionar. Mas não, o que se vê é uma política pública que privilegia os interesses do mercado imobiliário, e essa política repercuti em sérios equívocos sociais. Como abordar essa coisa delicada a qual chamamos vida? E se o cinema é, em certo grau, a extensão da nossa mente, de nossos sonhos, é justamente a nossa cabeça que está sendo atropelada. E se não tem cinema, e se o mercado rodoviarista também comete suas presepadas, e se aquela velha lei da física prova que os muros estão em movimento em relação ao corpo que está parado dentro do carro, os pixadores (melhor se forem poetixadores) vão se encarregando de distribuir palavras e imagens em movimento por aí. o cinema é o mundo?

chance2

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